Murmúrios Urgentes, de Suzanne Veja. ISBN: 972370353X. Edição Bilingue. 304 pp. 1994. Assírio e Alvim.
Tenho este livro na minha mente há cerca de seis anos. Lembro-me de, em 1987, quando Solitude Standing saiu, ter pensado que os poemas das canções de Suzanne Vega mereciam ser recebidos na brancura das páginas de um livro. Nessa altura, isso era apenas um desejo e certamente um sonho. Agora o sonho tornou-se realidade e, olhando em retrospectiva, sinto que as coisas foram acontecendo um pouco por si próprias e foram elas que, num certo sentido, acabaram por ditar aquilo que este livro é.
Tudo começou, é claro, com o álbum de estreia de Suzanne. Para mim ele foi como uma luz no escuro. As canções depressa se tornaram imprescindíveis e eram quase como uma segunda pele para mim. Em 1988, Suzanne veio a Lisboa receber o disco de ouro pelas vendas de Solitude Standing e deu uma conferência de imprensa no Loucuras. Eu estava lá e fiz-lhe algumas perguntas. Em 1989, fui assistir ao Festival de Glastonbury e foi aí que a vi actuar ao vivo pela primeira vez. Sem nos vermos pessoalmente, trocámos lembranças e mensagens. Desde essa altura, tudo foi seguindo um caminho natural. Ora em encontros rápidos, como após os concertos de Londres, Lisboa e Porto em 1990, ora em situações mais formais, como na conferência de imprensa na tarde do seu concerto lisboeta, foi crescendo uma afinidade que se foi alimentando de elementos quase invisíveis. Pequenas coisas trocadas, livros, discos, ou simples mensagens, foram tornando forte aquilo que começou por ser frágil. Suponho que foi a tonalidade emocional de cada uma de nós que nos tornou próximas.
Terá sido essa proximidade na forma de sentir que nos fez confiar inteiramente uma na outra. Quando estive em Nova Iorque para a entrevistar, Suzanne pediu-me para ir conhecer as zonas onde tinha crescido. Assim fiz. Descrevê-las é difícil, porque tudo funciona mais ao nível do que se sente e não ao nível do que se vê e esse fundo emocional está sempre omnipresente nas canções de Suzanne, provavelmente mais marcado nas primeiras que ela escreveu. O capítulo que abre este livro, intitulado «Primeiros Poemas e Canções», é todo ele constituído precisamente por poemas de infância e canções escritas antes da gravação do primeiro álbum. Ao que sei, à excepção de três dessas canções, esse material nunca tinha sido publicado antes. Suzanne passou-o para as minhas mãos e eu agora passo-o para si, leitor. O livro que tem à sua frente foi feito com a cumplicidade e o empenhamento dela.
Porque eu não sei de que outra forma lhe agradecer a generosidade e a amizade, este livro é dedicado a Suzanne.
Introdução de Fátima Castro Silva
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